O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica com forte componente genético, geralmente identificada na infância e muitas vezes persistente na vida adulta. Os principais sintomas incluem desatenção, hiperatividade (inquietude motora) e impulsividade, afetando significativamente o comportamento, o desempenho escolar e as interações sociais dos indivíduos. Vale destacar que um diagnóstico preciso e um tratamento adequado são fundamentais para ajudar aqueles com TDAH a controlar seus sintomas, permitindo-lhes levar vidas produtivas e satisfatórias.
O distúrbio afeta entre 3% e 5% das crianças na idade escolar, sendo mais comum entre meninos. A dificuldade em manter a concentração e a hiperatividade, características do transtorno, podem comprometer o desempenho acadêmico e levar a indicadores negativos que não refletem o verdadeiro potencial dessas crianças em termos de aprendizado.
Nos adultos, o TDAH é frequentemente caracterizado por dificuldades em manter a atenção, impulsividade, desorganização e problemas na gestão do tempo. Esses sintomas impactam diversas áreas da vida, incluindo o desempenho profissional, as relações interpessoais e a saúde mental.
A prevalência do transtorno em adultos é estimada em cerca de 2,5% da população. O diagnóstico é clínico e baseia-se em uma avaliação abrangente que considera o histórico de sintomas desde a infância, bem como a exclusão de outras condições que podem mimetizar os sintomas do TDAH. O tratamento geralmente inclui o uso de medicamentos e mudanças no comportamento. Descobrir e tratar o problema cedo pode fazer uma grande diferença nos resultados finais.
CAUSAS
Fatores Neurobiológicos
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade está associado a um desequilíbrio nos neurotransmissores dopamina e noradrenalina no córtex cerebral. Estudos de imagem mostram diferenças significativas na estrutura cerebral de crianças com TDAH em comparação com aquelas sem o transtorno. Essas diferenças incluem volumes menores, especialmente no córtex pré-frontal e frontal, e no cerebelo.
A predisposição genética é um fator importante no TDAH. Gêmeos idênticos têm uma alta concordância para o transtorno, com um risco de 92% para o outro gêmeo se um deles for divulgado com TDAH. Além disso, a história familiar do TDAH é um indicador significativo de risco. Estudos genéticos identificaram vários genes que aparentemente desempenharam um papel crucial no desenvolvimento do transtorno, contribuindo para sua compreensão e diagnóstico mais preciso.
Fatores Ambientais
Vários fatores ambientais podem ter um papel secundário no desenvolvimento do TDAH, mas ainda não está claro o quanto cada um deles é importante.
Alguns desses fatores possíveis incluem:
Aditivos alimentares, como corantes ou aromas artificiais, e conservantes.
Consumo de açúcar refinado.
Alergias ou intolerâncias alimentares, como ovos, leite ou glúten.
Baixos níveis de ácidos graxos essenciais, como ômega 3.
Traumatismo craniano durante a infância.
Deficiência de ferro e zinco.
Tabagismo durante a gravidez.
Consumo de álcool durante a gravidez.
Exposição pré-natal a certos medicamentos, como paracetamol e antidepressivos.
Nascimento prematuro.
Baixo peso ao nascer do sol.
Exposição ao chumbo.
Esses fatores ainda estão sendo treinados para entender melhor sua relação com o TDAH.
Doenças Associadas
Crianças e adolescentes com TDAH frequentemente apresentam outros desafios relacionados à saúde mental, como:
Transtorno Desafiador de Oposição (TDO): caracterizado por comportamento desafiador e hostil.
Desvio de Conduta ou Transtorno de Conduta: envolve comportamentos agressivos, desrespeitosos ou ilegais.
Transtorno de Ansiedade Generalizada: preocupações excessivas e tensões constantes.
Depressão: sentimentos persistentes de tristeza e falta de interesse.
Dificuldades de Aprendizagem: dificuldades específicas com leitura, escrita ou matemática.
Transtorno Bipolar: variações extremas de humor e energia.
Síndrome de Tourette: tiques físicos e vocais involuntários.
Distúrbio da Desregulação do Humor: irritabilidade crônica e explosões de raiva.
Distúrbios do Sono: dificuldades para dormir ou manter um sono adequado.
Esses transtornos coexistem com o TDAH, tornando o diagnóstico e o tratamento mais complexos e desafiadores.
SINTOMAS
O TDAH é caracterizado por sintomas como desatenção, hiperatividade e impulsividade, os quais apresentam qualidades na vida social, familiar, acadêmica e profissional. Na desatenção predominantemente, há dificuldade de concentração, organização e memória, resultando em erros frequentes e dificuldades de aprendizado e desempenho no trabalho. Na hiperatividade, os indivíduos são agitados, inquietos e têm dificuldade em ficar parados ou em silêncio. Já na impulsividade, há tendência a agir sem pensar, interromper os outros e ter dificuldade em seguir instruções.
Durante a adolescência e a idade adulta, os sintomas de hiperatividade tendem a diminuir em visibilidade, porém, outras dificuldades persistem sem alterações, acumulando prejuízos no cotidiano e afetando melhorias na autoestima.
DICAS
Dependendo da combinação e intensidade dos sintomas (desatenção e de hiperatividade ou impulsividade), o transtorno é classificado em três subtipos:
TDAH tipo desatento: Caracterizado pela predominância da desatenção, onde uma pessoa tem dificuldade em se concentrar e é facilmente distraída por estímulos externos.
TDAH tipo hiperativo: Neste tipo, uma pessoa é agitada, incapaz de ficar quieta, muitas vezes tem um temperamento explosivo e tende a realizar várias atividades simultaneamente.
TDAH tipo combinado: Este tipo envolve uma combinação de sintomas de desatenção e hiperatividade, onde o indivíduo apresenta características de ambos os tipos mencionados acima.
Além disso, o TDAH pode ser classificado em três graus diferentes:
Leve: Poucos sintomas além dos necessários para o diagnóstico estão presentes, e eles causam apenas pequenos prejuízos no funcionamento social, acadêmico ou profissional.
Moderado: Há sintomas ou prejuízo funcional que variam de nível a grave.
Grave: Muitos sintomas além dos necessários para o diagnóstico estão presentes, ou alguns sintomas são particularmente graves, resultando em prejuízo causado no funcionamento social ou profissional.
DIAGNÓSTICO
Muitas pessoas têm dúvidas sobre como o TDAH é divulgado, e algumas acham que existe um teste específico para isso. No entanto, o diagnóstico do TDAH é feito exclusivamente por avaliação clínica. O profissional de saúde realiza entrevistas com o paciente e seus familiares para chegar a uma conclusão sobre a condição.
O diagnóstico do TDAH geralmente ocorre entre os 4 e 6 anos de idade, quando os sintomas começam a se manifestar, proporcionando uma melhor qualidade de vida e evitando rotulações inconvenientes.
Para crianças, o diagnóstico é baseado nos relatos dos pais, educadores e na observação do comportamento da criança pelo especialista. Critérios específicos devem ser seguidos, incluindo a persistência dos sintomas por pelo menos 6 meses e a comparação com o comportamento de outras crianças da mesma idade, Os sinais devem ter aparecido antes de uma criança completar 12 anos de idade e devem estar presentes em diferentes ambientes, como escola e casa.
No caso de adultos, diagnosticar o TDAH pode ser mais desafiador, já que outros sintomas, como ansiedade e depressão, podem se sobrepor ao longo do tempo. O diagnóstico também é clínico e baseado nos relatos do paciente durante a consulta, incluindo dificuldades de concentração em tarefas domésticas e no trabalho.
TRATAMENTO
Somente neuropediatras, neurologistas ou psiquiatras são específicos para diagnosticar o TDAH e recomendar os tratamentos adequados. Durante esta avaliação médica, o especialista considera fatores, como possíveis riscos durante a gravidez (como consumo de substâncias pela mãe ou infecções), além de verificar se há histórico familiar de TDAH.
A avaliação do desenvolvimento envolve a família e educadores para observar quando os sintomas do TDAH surgiram e como eles progrediram, além de verificar se o desenvolvimento da criança está de acordo com o esperado para sua idade.
Na avaliação educacional, registre-se como os sintomas do TDAH relacionados ao desempenho escolar da criança, contando novamente com a ajuda dos profissionais da educação.
Se o TDAH não for tratado, pode impactar níveis no desenvolvimento pessoal, acadêmico e profissional, levando à baixa autoestima, problemas nos relacionamentos familiares e sociais, e até ao envolvimento em comportamentos de risco, como uso de álcool e drogas.
Portanto, é importante tratar o TDAH com seriedade, utilizando uma abordagem que pode incluir acompanhamento psicológico, medicação e mudança de hábitos, para melhorar a qualidade de vida da pessoa afetada pelo transtorno.
REFERÊNCIAS:
TDAH em adultos: sintomas, causas, tipos e tratamento. Disponível em: <https://www.tuasaude.com/tdah-em-adultos/>. Acesso em: 8 jun. 2024.
TDAH: veja os sintomas de déficit de atenção. Disponível em: <https://www.minhavida.com.br/saude/temas/tdah>.
VARELLA, DD TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) - Portal Drauzio Varella - Portal Drauzio Varella. Disponível em: <https://drauziovarella.uol.com.br/pediatria/tdah-transtorno-do-deficit-de-atencao-com-hiperatividade/>.
PINHEIRO, DP; MILIAUSKAS, DC TDAH: o que é, sintomas, teste online e tratamento | MD.Saúde. Disponível em: <https://www.mdsaude.com/psiquiatria/tdah/>.
VILELA, AM TDAH: diagnóstico, tipos, sintomas e tratamentos [Guia completo]. Disponível em: <https://www.psitto.com.br/blog/tdah-diagnost
ico-tipos-sintomas-e-tratamentos-guia-completo/>. Acesso em: 8 jun. 2024.

Comments
Post a Comment